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psicólogo empreendedor consciente

19.05.2020 | Por: Psicologia Empreendedora

Psicólogo Empreendedor Consciente

Aprenda com evidências científicas sobre qual será o seu presente e futuro sobre  marketing, empreendedorismo e gestão para quem empreende na área.

 

Sou Patrícia Grilli,  psicóloga, psicodramatista e especialista em inovação e marketing.
Escrevo esse texto em maio de 2020, momento em que uma pandemia mundial da doença Covid-19 assola TODA a humanidade.

Nesse momento vejo um mundo todo mudar, sofrer, e ter que lidar com as consequências profundas que apenas as guerras, as catástrofes naturais e as epidemias, ou pandemias podem nos trazer: medo, ansiedade, incertezas em todos os níveis, conflitos de ideias e pensamentos e claro, a explicitação de tudo que não cuidamos direito ao longo dos tempos.

Quero hoje refletir sobre alguns dos muitos problemas que estamos precisando lidar, mas trazendo a reflexão para o recorte profissional da psicologia no Brasil. Tenho então algumas perguntas:

  1. Qual o papel do psicólogo enquanto categoria, orientado pelo nosso Conselho federal de Psicologia, em momentos de crise na sociedade numa perspectiva prática?
  2. Como o psicólogo empreendedor pode atuar em momentos como esses sem desrespeitar essas prerrogativas?
  3. Quais estudos de marketing e vendas podem dar suporte às tomadas de decisão do profissional empreendedor em psicologia em tempos de incerteza?
  4. Quais parâmetros precisamos levar em consideração no momento de tomada de decisões para contextos inéditos?

Obviamente que essas reflexões não conseguirão dar cabo de todas essas perguntas, visto que não existe apenas uma leitura, somos plurais e é nessa diversidade que construímos nossa compreensão social da realidade.

Portanto, contribua ao final com sua argumentação ou até mesmo opinião.

Vamos então às perguntas  e a um exercício meu de investigação, compreensão e tentativa de caminho de resposta:

  1. Qual o papel do psicólogo enquanto categoria, orientado pelo nosso Conselho federal de Psicologia, em momentos de crise na sociedade numa perspectiva prática?

Bom, de acordo com o Conselho Federal de Psicologia é sabido que não existe uma ÚNICA possibilidade de atuação do psicólogo. Afinal não existe uma PSICOLOGIA ÚNICA, mas sim, uma pluralidade de atuações de acordo com os diversos contextos de prática e atuação que podemos compreender.

O Conselho Federal de psicologia desde o dia 14 de março de 2020, está nos pontuando suas considerações à respeito de como a categoria deve se portar sobre a pandemia.

Nesse dia em nota lemos que:

“Diante da pandemia da Covid-19, o novo coronavírus, reconhecida pelo decreto da Organização Mundial de Saúde (OMS), na última quarta-feira, dia 11 de março de 2020, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) reforça que constitui possibilidade de exercício profissional a atuação em emergências e desastres, em contextos clínicos, de assistência social e de políticas públicas.”

Os dias se passaram e o conselho continuou seu posicionamento e orientações com as seguintes temáticas:

Coronavírus: Comunicado sobre atendimento on-line

Publicado em: 16/03/2020 – 21:57
Profissionais poderão fazer atendimento on-line sem necessidade de aguardar confirmação de cadastro no e-Psi


Coronavírus: cuidado com profissionais que atuam no SUS e no SUAS

Publicado em: 19/03/2020 – 13:51

“Cuidar das profissionais da saúde e da assistência social nesse momento de crise significa proteger toda a sociedade”, alerta a presidente do Conselho Federal de Psicologia, Ana Sandra

Abrapsit e Abramet recomendam suspensão de exames nos departamentos estaduais de trânsito

Publicado em: 20/03/2020 – 12:50
Medida leva em consideração os riscos em relação ao novo coronavírus (Covid-19) e as orientações das autoridades competentes


Nota Orientativa às(aos) Psicólogas(os): Trabalho Voluntário e Publicidade em Psicologia, diante do Coronavírus (COVID-19)

Publicado em: 21/03/2020 – 14:59

Coronavírus: Orientações sobre atividades acadêmicas na graduação em Psicologia

Publicado em: 25/03/2020 – 9:57
Para CFP, Abep e Fenapsi, é preciso ponderar as consequências do ensino e do estágio a distância para garantir a qualidade da formação

Coronavírus: CFP solicita inclusão de serviços psicológicos on-line na cobertura dos planos de saúde

Publicado em: 25/03/2020 – 11:41
Medida é desdobramento de diálogo iniciado entre CFP e Ministério da Saúde sobre estratégias para o enfrentamento da pandemia


Coronavírus: CFP envia recomendação a gestores sobre atividades presenciais de psicólogas(os)

Publicado em: 25/03/2020 – 11:47
CFP solicita às gestões que disponibilizem prioritariamente Tecnologias de Informação e Comunicação para o exercício profissional da Psicologia na modalidade a distância


Nota Orientativa sobre ensino da Avaliação Psicológica em modalidade remota no contexto da pandemia de Covid-19

Publicado em: 30/03/2020 – 12:25
CCAP, IBAP, ASBro e IBNec divulgam nota conjunta com recomendações a profissionais que necessitam realizar adequações na sua prática de ensino na área de Avaliação Psicológica na modalidade a distância

 


FENPB e Sistema Conselhos de Psicologia divulgam manifesto contra a retirada de direitos durante pandemia da Covid-19

Publicado em: 30/03/2020 – 15:53
Em documento assinado por mais de 20 instituições, incluindo o CFP, entidades criticam medidas adotadas pelo governo federal sem quaisquer evidências científicas


Nova Resolução do CFP orienta categoria sobre atendimento on-line durante pandemia da Covid-19

Publicado em: 30/03/2020 – 16:02
Resolução CFP nº 04/2020 flexibiliza atuação de forma remota, mas reforça necessidade de cumprimento do Código de Ética e obrigatoriedade de cadastro no e-Psi

 


Coronavírus: Cadastro e capacitação de profissionais da Saúde

Publicado em: 02/04/2020 – 21:52
CFP e CRPs estão buscando informações mais precisas para melhor orientar a categoria sobre a Portaria Nº 639/2020 do Ministério da Saúde

 

CFP realiza debate ao vivo sobre atuação da Psicologia em emergências e desastres nesta quarta-feira (8)

Publicado em: 07/04/2020 – 18:54
Live faz parte dos esforços do CFP em ampliar debate com a categoria sobre a atuação da Psicologia frente à pandemia do novo coronavírus

 


CFP publica Nota de orientação a psicólogas(os) que atuam em Sistema Socioeducativo

Publicado em: 13/04/2020 – 17:50
Orientações visam a garantia do atendimento a adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa, destacando a importância do trabalho de profissionais de Psicologia

 


Nota sobre a atuação de psicólogas (os) no Sistema Prisional em relação à pandemia do novo coronavírus

Publicado em: 13/04/2020 – 18:06
Documento ressalta importância da profissão para a manutenção e o reestabelecimento da saúde mental nas unidades prisionais

 

 

CFP simplifica cadastro de profissionais na plataforma e-Psi

Publicado em: 16/04/2020 – 12:31
Medida objetiva facilitar o preenchimento do formulário e evitar problemas de lentidão e instabilidades gerados pela intensificação do número de acessos

 

CONANDA elabora recomendações para a proteção de crianças e adolescentes durante pandemia do coronavírus

Publicado em: 17/04/2020 – 16:10
Com o objetivo de garantir a proteção integral dessa população, documento destaca atuação emergencial sobretudo em socorro aos segmentos mais vulnerabilizados

 


Direitos Humanos e populações vulnerabilizadas na pandemia de Covid-19

Publicado em: 22/04/2020 – 16:45
Nota das Comissões de Direitos Humanos do Sistema Conselhos de Psicologia

 

CFP debate papel da Psicologia diante da violência contra a mulher na pandemia da Covid-19

Publicado em: 27/04/2020 – 18:49
Transmissão ao vivo será realizada pelo Facebook do CFP no dia 29 de abril, às 17h

 

 

1º de maio: CFP e SBPOT realizam debate on-line sobre os impactos da Covid-19 sobre o trabalho

Publicado em: 30/04/2020 – 11:03
Ação marca o Dia da Trabalhadora e do Trabalhador diante do cenário da pandemia do Coronavírus

 


Nota orientativa sobre o uso de testes psicológicos informatizados/computadorizados e/ou de aplicação remota/online

Publicado em: 05/05/2020 – 13:47
A nota da Comissão Consultiva de Avaliação Psicológica (CCAP) foi publicada diante dos desafios impostos pela pandemia do novo coronavírus

 

 


CFP realiza debate sobre proteção de crianças e adolescentes em tempos de pandemia

Publicado em: 05/05/2020 – 17:52
Transmissão será na quinta-feira (7), a partir das 16h, no Facebook do CFP

(Fonte: https://site.cfp.org.br/noticias/ – acessado dia 12/05/2020 – 14:19h)

 

Como você deve ter percebido, até o momento, não houve uma única nota, um único diálogo, uma sequer LIVE divulgada à respeito de como nós, psicólogos empreendedores, devemos nos haver com os impactos econômicos e gerenciais dessa pandemia nos nossos consultórios, nas nossas clínicas, nos espaços de coworking ou o que quer que seja.

Portanto, vemos que nosso conselho como de costume, não dialoga, não orienta, ou sequer leva em consideração esses aspectos. Para eles, o objetivo é orientar sobre as nossas práticas profissionais, porém, não incluem nessa pasta de diálogo nossas atividades de gestão administrativa, econômica ou até de comunicação científica à população.

Para não dizer que não falaram nada, lançaram essa nota, já citada acima:

 


Nota Orientativa às(aos) Psicólogas(os): Trabalho Voluntário e Publicidade em Psicologia, diante do Coronavírus (COVID-19)

Publicado em: 21/03/2020 – 14:59

Nessa nota lemos que devemos:

 

“7.  Sobre a Publicidade em Psicologia: A divulgação de serviços psicológicos é importante instrumento de sensibilização e ampliação do acesso da sociedade à ciência e à profissão psicológicas. No entanto, a mesma não pode ser realizada de forma sensacionalista e fora dos parâmetros éticos, indicados no nosso Código de Ética Profissional do Psicólogo, conforme segue:

Art. 20º – O psicólogo, ao promover publicamente seus serviços, por quaisquer meios, individual ou coletivamente:

  1. a) Informará o seu nome completo, o CRP e seu número de registro.
  2. b) Fará referência apenas a títulos ou qualificações profissionais que possua.
  3. c) Divulgará somente qualificações, atividades e recursos relativos a técnicas e práticas que estejam reconhecidas ou regulamentadas pela profissão.
  4. d) Não utilizará o preço do serviço como forma de propaganda.
  5. e) Não fará previsão taxativa de resultados.
  6. f) Não fará auto-promoção em detrimento de outros profissionais.
  7. g) Não proporá atividades que sejam atribuições privativas de outras categorias profissionais.
  8. h) Não fará divulgação sensacionalista das atividades profissionais.

Diante das recomendações apresentadas, reiteramos a importância da Psicologia no atual contexto, na partilha de informações qualificadas, no combate à disseminação do pânico, no cuidado adequado aos mais diferentes grupos que venham a ser atendidos e na defesa do acesso universal à saúde, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e dos direitos sociais fundamentais, pelo Sistema Único de Assistência Social (SUAS), ambos de caráter público, gratuito e de qualidade. Como Sistema Conselhos de Psicologia, estaremos atentos para que a Psicologia não se coloque à parte da crise que agora enfrentamos, ou que a mesma seja utilizada como instrumento de perpetuação da desigualdade social e da violação dos Direitos Humanos.”

 

  1. Como o psicólogo empreendedor pode atuar em momentos como esses sem desrespeitar essas prerrogativas?

 

Bom, vemos que diante dum momento completamente novo e diante de uma crise que não é apenas de saúde, mas sim social, econômica e política nós só temos orientações no que diz respeito à nossa atuação para preservar a sociedade de nossa má conduta.

A grande questão que se coloca e que me preocupa é: Se não podemos contar com o nosso conselho para nos orientar enquanto categoria para nossas ações práticas de enfrentamento à crise financeira, de gestão, e de engajamento da população ao nosso trabalho, a quem se impõe esse papel?

Será uma mensagem explícita para que abandonemos essa prática e tentemos todos um concurso público? Como realizar isso na prática, se não existem vagas com salários decentes para todos os profissionais que se formam?

O mesmo raciocínio pode ser aplicado no que tange às vagas no setor privado que no Brasil se reduzem à: vagas no RH ou na psicologia escolar.

Fica nítido então, um posicionamento institucional que exclui da realidade, a prática da psicologia nos campos do “privado”, como vemos nos modelos de negócio:

  • Consultórios e Clínicas Particulares;
  • Consultorias de Psicologia do Trabalho;
  • Consultorias de Saúde no trabalho,
  • Clínicas de Avaliação Psicológica – nos variados contextos;
  • Institutos de psicologia: que ensinam métodos, que ensinam abordagens psicológicas ou que oferecem supervisão profissional;
  • Livrarias exclusivas de livros, jogos e testes psicológicos para psicólogos;
  • Aplicativos digitais e empresas de inteligência artificial com foco na psicologia;
  • Profissionais liberais em geral que prestam serviço para empresas e pessoas em áreas de interface da psicologia com outros campos: educação, espiritualidade, sociologia, tecnologia da informação, marketing e consumo, etc.

 

Na verdade estamos por “nossa conta” nas nossas práticas profissionais, em contextos particulares ou de mercado, e eu não sei a você, mas isso me preocupa o “não diálogo”.

 

  1. Quais estudos de marketing e vendas podem dar suporte às tomadas de decisão do profissional empreendedor em psicologia em tempos de incerteza?

Desde 2014 eu pesquiso para encontrar novos estudos, mas a realidade é que temos hoje poucas pesquisas sobre o TRABALHO PRIVADO DO PSICÓLOGO no Brasil, busquei mais uma vez por pesquisas que nos dessem pistas do que fazer nos seguintes temas:

  • Empreendedorismo e inovação de modelos de negócios na psicologia;
  • Marketing para psicólogos;
  • Gestão de negócios de psicologia.

 

Como você vai ver não encontrei muita coisa, mas esses poucos títulos já nos dão a possibilidade de compreender um pouco mais nosso momento, e poder pensar em novas alternativas.

Um dos poucos trabalhos de Mestrado sobre Marketing para psicólogos, nessa área foi realizado pela psicóloga Renata Livramento, em 2008, pela FUMEC,  num trabalho chamado:

“Marketing na Psicologia: um estudo exploratório”

“O presente trabalho buscou analisar a imagem da Psicologia com ênfase na profissão, no profissional, no mercado de trabalho e no conhecimento dos stakeholders sobre marketing. Para tanto, foi realizada uma pesquisa qualitativa de caráter exploratório, em que além da revisão de literatura, foram coletados dados por meio de entrevistas em profundidade e da técnica projetiva de construção de desenhos, envolvendo diversos stakeholders da Psicologia em Belo Horizonte, Minas Gerais. Foram contempladas as seguintes categorias de stakeholders: candidatos, alunos, professores e coordenadores de cursos de graduação em Psicologia, psicólogos atuantes e não-atuantes, prospects (pessoas que nunca utilizaram de serviços psicológicos), clientes que concluíram e que interromperam a prestação de serviços psicológicos, além de clientes que estavam utilizando de serviços psicológicos no período em que as entrevistas foram realizadas. As informações obtidas foram submetidas à análise de conteúdo e classificadas de acordo com as dimensões emocionais, simbólicas, cognitivas e funcionais, propostas no modelo teórico de De Toni, Milan e Schuler (2004, 2005). Os resultados indicam que vários fatores contribuem para a ocorrência de uma nebulosidade na imagem da Psicologia. Dentre eles, pode-se destacar: a carência de elementos tangíveis que diferenciem a profissão e seus profissionais; o baixo nível de conhecimento dos stakeholders sobre a profissão de Psicologia, quais são as atribuições dos psicólogos e a presença de áreas de sombreamento da Psicologia com outras profissões. Além disto, constatou-se que o relacionamento entre psicólogos e clientes/pacientes é um importante fator para a percepção de valor em relação aos serviços psicológicos. Entretanto, o parco conhecimento que os psicólogos apresentam sobre o comportamento dos clientes, sobre o mercado de trabalho da profissão e sobre marketing de serviços têm dificultado a adoção de um posicionamento profissional mais adequado, contribuindo para um baixo reconhecimento e valorização da profissão.”

Link: http://www.fumec.br/revistas/pdma/article/viewFile/4305/2160

 

Quando abrimos para mercado de trabalho e empreendedorismo encontrei:

“Mercado de trabalho: uma velha questão e novos dados” – Antônio Virgílio P. Bastos – 1990.
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98931990000200006

“Apesar de pouco mais de vinte e cinco anos nos separarem da regulamentação da Psicologia como profissão é significativo o número de estudos que visam descrevê-la e tentam compreender os seus determinantes históricos, sociais e políticos. Não dispúnhamos, entretanto, de um estudo abrangente da realidade nacional, pois os trabalhos disponíveis até então se apoiavam em amostras reduzidas e de âmbito regional ou local. Visando suprir esta lacuna, assim como fornecer elementos para uma atuação mais efetiva junto às instituições de ensino, é que o Conselho Federal de Psicologia desenvolveu uma pesquisa cujos resultados completos estão disponíveis no livro QUEM É O PSICÓLOGO BRASILEIRO? O presente artigo apresenta um sumário dos principais resultados desta pesquisa que abrangeu uma amostra de 2448 psicólogos de diferentes regiões do País e que teve os seus dados coletados através de um questionário aplicado entre 1986 e 87.”

Primeira pesquisa dessa natureza que encontrei desde a fundação da psicologia em 1962 no Brasil. Não vou citar os dados, pois estão muito desatualizados para compreendermos esse momento atual.

Em seguida, em 2004 o Ipobe realizou um Pesquisa de opinião com 2000 psicólogos cadastrados no Conselho Federal de Psicologia, o seguinte intuito:

“Levantar opiniões sobre a revista “Psicologia: Ciência e Profissão”, bem como sobre o exercício da profissão de psicólogo, junto aos psicólogos inscritos no Conselho Federal de Psicologia.”

Nessa época tínhamos uma realidade triste: apenas 32% dos psicólogos entrevistados colaboravam com o orçamento familiar de 75 a 10%. Outro dado relevante diz que 58% alegaram trabalharem somente com a psicologia enquanto 32% alegaram atuarem na psicologia de maneira secundária.

Dos 1673 que estavam atuando e que responderam, 55% atuavam na clínica, 11% em atividades educacionais, 5% em pesquisa e docência, 11% atuavam em Políticas públicas de saúde, segurança ou educação, 17% alegavam atuar com área Organizacional/ Institucional, 1% com psicologia jurídica e só 1% faziam outras coisas.

Caminhando um pouco mais, tivemos em 2014 , na UFSC uma dissertação de mestrado escrita pelo Renatto Marcondes, que até hoje é o único trabalho completo, pois versa sobre os 3 pontos da minha pesquisa: empreendedorismo, marketing e gestão,  intitulada:

“Entre buscar oportunidades e obter reconhecimento: Comportamento empreendedor de psicólogos em sua trajetória profissional.”

E no resumo já lemos:

 

“O empreender toma forma atualmente como opção importante de carreira para diversos profissionais, inclusive psicólogos. Para esses profissionais, em seus contextos de trabalho, o empreendedorismo representa uma estratégia de inserção no trabalho e de desenvolvimento de carreira diferenciada em relação às demais existentes. Considerando essas questões, a pesquisa que originou esta dissertação teve como objetivo caracterizar o comportamento empreendedor de psicólogos em sua trajetória profissional. O estudo empírico foi realizado tomando por base a perspectiva do empreendedorismo como processo e com fundamentação no princípio da centralidade do trabalho relativamente às demais esferas do processo de viver. Desenvolveu-se pesquisa de abordagem qualitativa, do tipo multicasos, cujos dados foram levantados por meio de entrevista semiestruturada. Os participantes foram seis psicólogos empreendedores, de Santa Catarina e de São Paulo, sendo cinco mulheres e um homem, com idades entre 34 e 54 anos. Os dados foram examinados por meio da análise de conteúdo, e organizados a partir de referencial escolhido especificamente para a pesquisa, segundo o qual o processo empreendedor se desenvolve em três fases diferentes, porém complementares entre si, cada qual comportando três momentos. Do processo de análise emergiram categorias em cada um deles. Os resultados encontrados apontaram que na fase do pré-lançamento tem importância a experiência profissional prévia, a história vivida em família, além das relações pré-estabelecidas com stakeholders desde a identificação de uma oportunidade de negócio até a reunião de recursos e equipe. Para a fase do lançamento do empreendimento verificou-se que a percepção do ambiente jurídico, a construção da estratégia voltada a novas populações e o uso de redes sociais e internet fez-se ideal. Já na fase de pós-lançamento identificou-se a gestão do novo negócio aliada com o estilo de liderança; verificou-se ainda o amadurecimento do empreendimento e do empreendedor, além de como esses profissionais planejam sua saída e aposentadoria. Constatou-se que o movimento dos empreendedores em sua trajetória profissional se situa entre buscar oportunidades e obter reconhecimento por meio do trabalho que desenvolvem em seus empreendimentos. Por fim, foram discutidos os aspectos que motivam um psicólogo a empreender, aqueles que mantêm tal profissional no processo empreendedor e porque a escolha por essa carreira ainda é feita por um pequeno número de profissionais em psicologia.

 

 

Encontrei para finalizar uma pesquisa,  “Levantamento de informações sobre a inserção dos psicólogos no mercado de trabalho brasileiro” que foi encomendada pelo Conselho Federal ao DIEESE, que saiu em 2016.

https://www.dieese.org.br/perfildecategoria/2016/psicologosMercadoTrabalho.html

 

E aqui temos um verdadeiro retrato mais atual da situação da nossa categoria no Brasil, no que tange ao mercado de trabalho como um todo, mas não temos absolutamente nada informativo, ou formativo sobre empreender, sobre gestão, ou sobre inovar na psicologia.

Eu mesma contribuí para essas pesquisas com o meu TCC do MBA em Inteligência Competitiva e Inovações em Marketing, realizado na Estácio em 2017 intitulado: Psicologia Empreendedora.

No resumo temos que:

“O empreender toma forma atualmente como opção importante de carreira para diversos profissionais, inclusive psicólogos. Considerando essas questões, a pesquisa que originou este trabalho de conclusão de curso teve como objetivo caracterizar o comportamento empreendedor de psicólogos em sua trajetória profissional. Objetivou-se portanto, descrever como o reconhecimento de que se “é um empreendedor” e a tomada de consciência dos pontos a serem aprendidos nesse processo, pode mudar a maneira desse profissional agir em sua profissão. Portanto, modificando e melhorando a maneira como ele é entendido e posicionado profissionalmente na sociedade.”

 

 

Nesse mesmo trabalho eu concluo que:

“Com tudo o que foi exposto até o momento, podemos identificar alguns aspectos muito importantes.

Primeiramente, entende-se que a profissão da psicologia no Brasil ainda é muito recente, e que ainda não temos um tempo histórico suficiente para dizer sobre o futuro da mesma. Ainda é tudo muito incerto e deve ser estudado.

Porém, como colocado, existem caminhos alternativos para a psicologia que podem alavancar sua posição atual. Ou seja, a partir do momento que a educação empreendedora e o empreendedorismo forem uma realidade para a maioria dos estudantes de psicologia e psicólogos, a categoria como um todo vai ser melhor entendida pela sociedade.

Quando os psicólogos dominarem os conhecimentos de administração, comunicação, finanças, negociação, legislação e tudo o mais para que iniciativas das mais variadas ganhem corpo, a realidade dos psicólogos no país será diferente.

O acesso a novas formas de aprender e criar como o Design Thinking, o manejo correto de suas ferramentas atrelado a já capacidade crítica de ver o homem e o mundo dos psicólogos terá consequências positivas e agregadoras para a profissão e para a sociedade.

Pode-se afirmar também que quando os profissionais tiverem pleno entendimento e atuação sobre a maneira que será realizada a sua comunicação, muitos mal entendidos e preconceitos com a profissão serão minimizados. Isso vai garantir que a categoria seja mais entendida pelo público em geral, com um melhor mapeamento de seus possíveis benefícios, serviços e produtos.

Com isso posto, observa-se portanto que é urgente que exista então uma prática consciente da “psicologia empreendedora”. Buscando resolver problemas da a sociedade, gerando valor para a categoria e para cada pessoa beneficiada.

Não podia deixar de dizer que esse estudo teve também um retorno positivo e de mudança de posicionamento para mim hoje em minha carreira empreendedora. Nossa empresa hoje tem trilhado um caminho de sucesso crescente, com 3 turmas em nosso curso online, mais de 15 clientes já passaram pela nossa consultoria profissional, além de diversas participações em eventos locais e nacionais.

Conclui-se por dedução lógica e por vivência que tudo o que foi dito acima procede. E que educar o psicólogo para o empreendedorismo tem consequências muito poderosas e transformadoras.”

 

Acredito que tenha ficado claro o quanto as práticas nesse campo são totalmente experimentais, aproximadas, e que não são embasadas por praticamente nenhum entendimento amplamente testado e validado cientificamente em todo o segmento.

Todo curso, treinamento ou mentoria que já dei, levou essa realidade em consideração, e geralmente, quando o cliente ganhava a consciência de que é sim tudo tão novo que não temos parâmetros, isso poderia ser “libertador” para alguns e “desolador para outros”.

  • Quais parâmetros precisamos levar em consideração no momento de tomada de decisões para contextos inéditos, como a pandemia?

 

O avanço da pandemia, teve como reflexo imediato:

  • Mudança de hábitos de convivência e relacionamento, com a digitalização dos contatos pessoais e profissionais, e com o excesso de relacionamento com as pessoas de “dentro” de casa,
  • Mudança nos hábitos do que é considerado saudável existindo uma preocupação maior e coletiva com limpeza e desinfecção,
  • Mudanças de percepção de marcas e mudanças de hábitos de consumo.

A pandemia não inaugura, porém, amplia a ideia de que num mundo com mudanças que ocorrem em ritmos exponenciais, as soluções também precisariam ser pensadas, testadas e implementadas no mesmo ritmo, com o mesmo impacto.

Hoje vemos isso acontecer com a consolidação da inteligência artificial e de um mundo ultra conectado. Discute-se o possível conceito de sociedade 5.0, que coloca o ser humano no centro de tudo, porém intrinsecamente dependente de tecnologias externas para “existir” nesse novo mundo, com esse “novo ritmo”.

No entanto, diante da complexidade, caos e contradições dos tempos pós-normais, os desafios são inumeráveis, complexos e muitas vezes bastante complicados também.

E aí temos novos questionamentos que precisamos nos fazer:

  • Como nos conectar com essa nova sociedade?
  • Qual é o papel dos psicólogos empreendedores nesse novo cenário?
  • Que impactos podemos esperar nas dinâmicas sociais e empresariais com a pandemia da Covid-19?

Obviamente que eu não tenho essas respostas, afinal, o futuro, ao acaso ou à Deus pertence. Porém, enquanto cientista, atenta ao desenvolvimento estratégico, ao empreendedorismo e à inovação eu me preocupo muito com os FUTUROS QUE ESTAMOS CRIANDO HOJE.

Existem milhares de estudiosos sobre o futuro. Alguns são bem caricatos e “poliânicos”, outros são altamente distópicos e finalísticos. Aqui vou trazer um caminho do meio enquanto possibilidade de reflexão.

O autor Daniel Egger, em seu livro: “Geração de valor futuro: conectando a estratégia, inovação e futuro” nos provoca com muitas reflexões sobre o que ele chamou de “Templosions” – ou a implosão de tudo num tempo comprimido, em outras palavras, num momento em que tudo muda o tempo todo, sem respeitar os supostos limites de tempo, espaço ou qualquer lei conhecida.

O autor nos coloca como mensagem inicial do livro:

“Quando falamos sobre o futuro, não privilegiamos uma única mente que vê ou mesmo prevê o que irá acontecer. Para nós, é uma combinação de opiniões, debates e percepções de várias pessoas, que interagem, refletem e partilham ideias e informações. Este livro só foi possível por causa dessa força colaborativa.”

Além de linda, essa mensagem de aviso sobre o processo criativo do próprio livro, nos coloca a pensar sobre o momento que vivemos e a urgência do pensamento colaborativo.  Em um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo só existe saída com a colaboração para gerar valor sustentável.

Traduzindo para que você compreenda, os modelos de negócio em que você “trabalha sozinho” estão com os dias contados. Essa ideia de que você sozinho seria “autônomo” o suficiente para “fazer a sua parte” não faz mais sentido no mundo de hoje. As partes, mudam em velocidade exponencial, a “dança das cadeiras”, está na “velocidade 5 da dança do créu”.

O irônico, é que eu nesse momento, lhe conto isso e sofro exatamente do mesmo problema que você. Eu sou uma profissional liberal, que há 10 anos atua praticamente SOZINHA enquanto psicóloga. Entenda, estou lhe contando essa novidade, ao mesmo tempo que vivo-a. Tudo junto, misturado e ao mesmo tempo. Não importa agora quem sabia mais, importa agora quem faz melhor com o que sabia, entendendo os sinais do que queremos ser no futuro.

No livro fica claro que não “existe” construir nada novo sem entender o que já existe. Então, antes de sair “inventando ideias”, verifique o que já existe. Ou seja, o que você já faz hoje para ser reconhecido enquanto psicólogo? O que você já entrega que é percebido como valoroso pelos seus clientes atuais.

O livro até te sugere perguntas inteligentes para pensar sobre isso:

  • Porque temos importância hoje para as pessoas?
  • Que valores percebidos geramos?
  • Quais produtos e serviços temos que trocam que valores?
  • “Onde” e “quando” o valor é percebido e trocado?

 

Depois que você responder a isso, é hoje de refletir sobre o que precisa ser modificado, afinal, se estivesse tudo bem com o que você descobrir, você não estaria em crise… Bom, para te ajudar a refletir sobre os possíveis caminhos de mudanças pense sobre:

  • Qual a nossa “pergunta focal” – ou qual o nosso “foco”?
  • O que está em mudança?
  • Que mudanças da sociedade são relevantes para o nosso negócio?

Um pensamento relevante será logo em seguida, pensar, quais são os contextos futuros que possivelmente nos aguardam? Aqueles levantados pelas macro tendências?

Para te ajudar a refletir no seu contexto específico o autor nos coloca para pensar sobre :

  • Quais as sociedades plausíveis dos futuros?
  • O que as pessoas valorizam e fazem no futuro?
  • Qual é o futuro desejado e o oficial?

E por fim, você finaliza questionando depois dessa reflexão anterior qual pode ser então a sua PROPOSTA DE VALOR FUTURA?

  • Por que teremos importância no futuro?
  • Qual o valor que poderíamos gerar?
  • Que “troca de valor” é provável?
  • “Onde” e quando o valor será percebido e trocado?

Eu sei, parece que não lhe dei nenhuma resposta concreta e objetiva. Mas veja NINGUÉM está em condições de trazer nenhuma resposta definitiva.  O que temos aqui é um conjunto de reflexões, um guia reflexivo, para lhe ajudar a vislumbrar o papel do seu negócio na psicologia no futuro.

Cabe a você a decisão corajosa, criativa e dedicada da implementação na sua prática.

Sabe mais uma coisa, você precisa assumir a responsabilidade em pesquisar sobre o seu futuro, em estudar sobre empreendedorismo para seu negócio, em aprender como atrair, gerar interesse, engajar e vender psicologia para as pessoas de maneira privada.

Com tudo isso que coloquei aqui quero que você compreenda meu ponto de vista, meu posicionamento e principalmente minha intenção nesse momento com você:

  • Infelizmente não temos o suporte de um órgão de classe que nos oriente nas questões referentes à: empreendedorismo, marketing e gestão de negócios de psicologia, para nós psicólogos. Felizmente essa missão está em nossas mãos: construir esses parâmetros de forma coletiva;
  • Infelizmente, não temos normativas, referências base, ou sequer dados exclusivos de taxas de conversão de engajamento em redes sociais, ou índices de engajamento em compra no fim do funil, para a nossa categoria. Mesmo quando atuamos como marketing digital, o mais estratégico e “científico” não temos base, e precisamos literalmente “fazer para aprender como faz”. Felizmente, temos já estudos aproximados ocorrendo em mercados correlatos: educação, saúde, economia criativa e tecnologia da informação.
  • Eu não sei como será o nosso futuro empreendedor na psicologia, mas eu sei do que foi no passado, do que está sendo no presente, e tenho um guia de raciocínio para te ajudar a refletir estrategicamente no futuro.

 

Aprender a prospectar futuros e viver numa economia em fluxo, é a única chance que temos num mundo cada vez mais caótico.

Vamos juntos aprender a co-criar na psicologia?

Aprender a pesquisar, diagnosticar, decidir e validar mudanças cada vez mais colaborativas, diversas, acessíveis e exponenciais na psicologia para a vida das pessoas?

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